domingo, 6 de novembro de 2011

A receita social para a crise mundial

Mais do que defender a coisa pública e restruturar o Estado e seus serviços, o eixo das políticas progressistas hoje deve ter em pauta a ampliação dos espaços públicos e a adoção do benefício social como meta do sistema econômico. A sociedade civil organizada deve lutar pela ampliação de seus direitos e de suas condições como forma efetiva de combate à atual crise sistêmica mundial. Para os trabalhadores, o corte de salários, empregos e garantias nunca foi saída aceitável para a crise. A crise não foi produzida pelos trabalhadores, mas sim pelos rentistas. A receita implacável para a crise, implantada a ferro e fogo por governos tidos como liberais, acirra as condições básicas de vida da população. O horizonte nas maiores economias capitalistas do globo está marcado pelo desemprego e perspectivas negativas. O resultado é a explosão de protestos e a violenta reação desses governos.

Há diversos ingredientes intencionais para a crise econômica mundial ora em curso. O momento exige da classe trabalhadora a tomada de postura, pois dela dependerá o futuro.

Ainda que inúmeras razões sejam apresentadas para explicar o estado de tensão atual na economia mundial, os trabalhadores são chamados para dividir o prejuízo. Essa divisão não pode ser aceita pela classe trabalhadora.

Governos nacionais com orientação progressista tem adotado leitura e receita distintas para a referida crise. As plataformas sociais e desenvolvimentistas contrariam o receituário liberal e demonstram na prática seu erro fundamental.

O receituário liberal, ou neoliberal, arruinou Estados nacionais e degradou significativamente as condições de vida dos trabalhadores, ao passo que aumentou extraordinariamente os ganhos de parcelas ínfimas da população.


A crise econômica mundial é resultado do desenvolvimento das forças produtivas sem a necessária socialização dos ganhos. A concentração da riqueza é a medida da miséria que ocorre na outra ponta, ou melhor, na base da pirâmide.


Em resumo, trata-se da histórica queda de braços entre a classe trabalhadora e a classe capitalista, com seus interesses antagônicos. A classe trabalhadora que não quer ser expoliada, contra a classe capitalista que quer apropriar mais da mais valia.

A classe trabalhadora produziu e produz muito. Não pode aceitar ganhar menos por mais.

Portanto, todo trabalhador que se põe a defender sua dignidade e seu valor, está dando sua contribuição para a melhor saída para a crise: quem deve pagar por ela são os rentistas, não os trabalhadores.

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